EDIÇÕES 70, Um breve historial

 

Como o seu nome indica, Edições 70 nasce com o início da década de 70, que se anunciava portadora de profundas mudanças. Por isso, merecem destaque os seus primeiros quatro anos, até 25 de Abril de 1974, aqueles em que a editora viu mais ameaçada as suas possibilidades de sobrevivência, pela apertada vigilância exercida pela Censura; de facto, durante esse período foram muitas as proibições e apreensões de diversas obras, o que, além de outros riscos, significava perdas financeiras irreparáveis.

 

A nova dinâmica histórica que se implantou em Portugal, consagrando princípios de liberdade política, permitiu a criação de projectos novos mais ambiciosos, que se puderam concretizar nos anos sucessivos.

Assim, em 1976, Edições 70 iniciou um processo de intensa cooperação com os responsáveis culturais dos novos países africanos de expressão portuguesa (em especial de Angola e Moçambique), que permitiu, no espaço de uma década, a divulgação de muitas obras e autores representativos desses países.

 

A partir de 1978, edições 70 deu início a um trabalho de maior alcance, com o lançamento simultâneo de várias colecções, que ainda hoje constituem a «imagem de marca» da editora, através das quais consagrou a sua afirmação vocacional no âmbito das ciências humanas; de facto, são dessa altura colecções com a ambição de «O Lugar da História», «Perspectivas do Homem», «Arte & Comunicação», «Biblioteca Básica de Filosofia», «Textos Filosóficos», entre outras.

 

Nas muitas centenas de obras publicadas ao longo de quase quatro décadas, cuja parte mais importante constitui hoje o fundo de catálogo de Edições 70, é patente a opção pela edição de Cultura, no mais amplo e nobre sentido da palavra.

É no campo das Ciências Humanas e Sociais que mais vincada se encontra a filosofia da nossa acção editorial: na realidade, do ensaio à historiografia, da investigação antropológica à divulgação do saber científico, da problemática actual na arquitectura e no urbanismo ao ensaio sobre arte, da música à filosofia até ao pensamento da antiguidade clássica, oferecemos ao público de Língua Portuguesa um vasto repositório de títulos que, pelo rigor no seu tratamento, homogeneidade interdisciplinar e oportunidade temática, não tem paralelo na edição nacional.

 

Em 2005, Edições 70 juntou-se ao Grupo Almedina, alargando a sua influência e complementando o rigor das suas propostas editoriais, que se reflectem na homogénea articulação interdisciplinar do seu catálogo, podendo, como há mais de três décadas, reivindicar o seu lema de sempre: «Por uma cultura viva e livre».